O Canva mostrou com humor e estratégia como se cria valor de marca no Brasil
Campanhas publicitárias podem viralizar por diversos motivos. No entanto, poucas conseguem unir criatividade, narrativa cultural e produto de forma tão inteligente quanto as ações recentes do Canva no Brasil. Ao colocar celebridades como Xuxa e Gracyanne Barbosa no centro da estratégia, a plataforma fez muito mais do que chamar atenção. Ela mostrou, com provas e […]
Campanhas publicitárias podem viralizar por diversos motivos.
No entanto, poucas conseguem unir criatividade, narrativa cultural e produto de forma tão inteligente quanto as ações recentes do Canva no Brasil. Ao colocar celebridades como Xuxa e Gracyanne Barbosa no centro da estratégia, a plataforma fez muito mais do que chamar atenção. Ela mostrou, com provas e prática, o poder de uma boa história combinada com uma proposta de valor acessível.
O Canva não vende design como algo exclusivo. Pelo contrário, ele se posiciona como uma solução democrática. A mensagem é clara: qualquer pessoa pode criar algo visualmente profissional com poucos cliques. Entretanto, essa mensagem precisa ser mais do que uma promessa técnica. Ela precisa ser percebida. E foi exatamente isso que as campanhas conseguiram entregar.
O contexto que preparou o terreno para a mudança
O Brasil é hoje o segundo maior mercado do Canva no mundo. Por essa razão, a empresa decidiu em 2025 ampliar sua presença local com campanhas criadas por times internos, voltadas para a cultura nacional. Em vez de adaptar peças globais, o Canva escolheu partir do zero. Isso significa criar campanhas pensadas para o brasileiro médio, com humor, referências nostálgicas e uma narrativa que faça sentido por aqui.
A mudança de abordagem não foi apenas estética. Pelo contrário, foi estratégica. Com isso, o Canva colocou sua mensagem em formatos virais e conversacionais. Além disso, passou a ocupar espaços que antes pertenciam às marcas mais populares do país.
A campanha com Xuxa reconectou o público com memória afetiva
Ao escalar Xuxa Meneghel, o Canva não apenas escolheu uma celebridade. Ele acionou uma memória coletiva. Afinal, Xuxa representa uma geração inteira. Muitos dos atuais donos de pequenos negócios cresceram assistindo seus programas. Usar essa conexão emocional foi uma jogada inteligente.
A peça mostrava Xuxa promovendo produtos fictícios com nomes absurdos. Entre eles estavam air fryers com glitter, chá relaxante com purpurina e papéis de divórcio com cheiro de morango. Tudo em um tom exagerado e divertido. Como resultado, a campanha provocou curiosidade e risos. E no final, a revelação: todos os materiais visuais da ação haviam sido criados no Canva. A sátira funcionou como um espelho. Ela mostrava, de forma cômica, como qualquer pessoa pode criar uma campanha visual se tiver as ferramentas certas.
O efeito foi imediato. Por isso, as redes sociais reagiram com engajamento alto. A imprensa repercutiu. O público comentou, compartilhou e, principalmente, entendeu a proposta. O Canva não precisava mais explicar o que fazia. Ele mostrou, com humor e contexto, o que a plataforma permite realizar.
O impacto da campanha com Gracyanne Barbosa
Logo depois da ação com Xuxa, o Canva lançou a campanha com Gracyanne Barbosa. Ela apresentava uma marca fictícia chamada Gracyovos. O anúncio parecia real. Um vídeo mostrava a musa fitness promovendo ovos premium com identidade visual própria. Havia rótulo, slogan, embalagem e um discurso de marca que parecia legítimo.
Por algumas horas, muitos acreditaram que se tratava de um lançamento de verdade. E essa ambiguidade fez parte da estratégia. A intenção era mostrar que uma marca completa pode ser criada do zero, com estética profissional, usando apenas o Canva.
O truque funcionou. O público compartilhou, riu e se envolveu. E quando veio a revelação de que tudo foi feito na plataforma, a mensagem ficou ainda mais poderosa. Não foi preciso dizer que o Canva facilita o design. Bastou mostrar isso com uma história que envolveu milhões de pessoas.
Mais uma vez, o humor e o absurdo serviram de linguagem. A ação uniu performance com entretenimento. E mais do que likes, gerou conversa. Gracyanne virou trending topic. A marca Gracyovos foi comentada em grupos de WhatsApp, fóruns e redações. Como resultado, o Canva se transformou em assunto nacional, sem gastar cifras desproporcionais com mídia tradicional.

O que torna essa estratégia relevante para negócios sérios
Não se trata apenas de fazer rir. O Canva usou humor com inteligência. Além disso, a campanha mostra que o marketing atual precisa de mais do que verba. Precisa de clareza, contexto e coragem. O produto deve ser colocado em ação. E a comunicação deve entregar prova antes de promessa.
Além disso, o Canva mostra que é possível falar com um público amplo sem perder sofisticação estratégica. Empresas B2B podem tirar boas lições disso. Em vez de insistir em discursos genéricos ou promessas abstratas, vale mais mostrar como a solução atua no dia a dia.
Outro ponto relevante é o uso de cultura pop como ponte de conexão. Tanto Xuxa quanto Gracyanne carregam públicos diferentes, mas igualmente engajados. A presença delas serviu como atalho para atenção. Mas o destaque real ficou na mensagem por trás da brincadeira: a acessibilidade do design como ferramenta de empoderamento.
O modelo que conecta storytelling com produto sem soar artificial
Essas campanhas mostram uma estrutura bem definida. Primeiro, criam um universo ficcional que entretém. Depois, revelam que tudo ali é exemplo do que o produto oferece. Essa inversão de ordem desperta curiosidade e evita rejeição. O público não sente que está sendo vendido. Ele se diverte. Ele descobre. E só depois entende.
Essa lógica pode ser aplicada a qualquer marca que deseja construir autoridade com conteúdo. Antes de tentar vender, é preciso gerar atenção. Depois disso, vem o engajamento. E só então a oferta deve aparecer. Esse ciclo não é novo, mas poucas marcas o executam com essa clareza.
O Canva acertou no formato, no timing e na linguagem. Mais do que números de campanha, ele construiu valor simbólico. E isso, em tempos de excesso de conteúdo e desconfiança do público, vale muito mais do que qualquer gráfico de cliques.
Sou Adriano Klumpp, especialista em marketing e vendas B2B. Me acompanhe no LinkedIn, no Instagram e no Beatz Podcast para mais insights e análises como essa. Nos vemos por lá!